XANALESSONS // SLOW FASHION

domingo, novembro 20, 2016

Imagem: Vogue España
SLOW FASHION

O conceito não é novidade - foi um dos hot topics no mundo da moda e do consumo, no início do ano.

Por motivos de sustentabilidade  mas, também, porque, às tantas, o consumo está mais "louco" que nunca. O digital, apadrinhado pelos suspeitos do costume (redes sociais e blogs), veio dar à democratização da moda uma velocidade de auto-estrada. E o que é que nunca se faz na auto-estrada? Inversão de marcha, pois claro. Metáfora tola, mas serve que nem uma luva. Sempre em frente e em alta-velocidade.

A Alta Moda demorou a responder mas fê-lo de forma "dramática" - os desfiles deixam de estar na parte inicial do processo de produção e passam para o final. Apenas os jornalistas e a real classe privilegiada da moda conhece a colecção antes do desfile e apenas pode comunicá-la depois do mesmo - quando as peças já estão à venda nas lojas (on-line e físicas). É "ver e comprar" - see now, buy now. 

O consumidor tem, neste momento, muito mais poder, no sentido que as marcas arriscam mais para ter tudo disponível imediatamente após o espectáculo (mas, repito, a elite continua com acesso privilegiado a tudo, à semelhança da era pré-internet - no entanto, muito poucos repararam nisto).

Tudo o que nos é mostrado está disponível para compra imediata - e, se não está, estará daí a um ou dois dias (no caso de existirem teasers). Paro para pensar nisto e chego à conclusão de que estamos todos loucos. Até podemos conhecer-nos bem (será?), assim como aquilo de que gostamos, mas perdemos grande parte do controlo. Cedemos a impulsos, estamos para lá de hiper-estimulados - em todas as plataformas. No outro dia. dei por mim a querer comprar uma peça sem grandes certezas porque o mais certo era desaparecer da Zara. Repito, da Zara! Que nem era de edição limitada (não era da linha Studio nem Join Life), ou seja, não estamos a falar de uma "peça única".

Na verdade, uma das "mães" desta nova fase da Moda/consumo é, efectivamente, a Zara. Não é de estranhar que seja uma das marcas mais citadas quando se fala no assunto "consumo actual". Mas, a verdade, é que não são apenas duas semanas desde que se pensa numa peça até ela chegar às prateleiras. Pelos vistos, duas semanas é o tempo que as peças têm direito a estar, efectivamente, nas prateleiras.


No outro dia, uma leitora deixou um comentário onde dizia que já não tinha gosto em entrar na Zara, pois estava sempre tudo diferente, as lojas estavam sempre a mudar (e com uma arrumação e ambiente propícios a consumo rápido). Ou seja, em vez de passarmos ali um bom bocado a ver roupa, entramos num frenezim. Nem 8 nem 80? Até eu, que sou de extremos, começo a ter saudades do meio-termo.


De ter tempo para pensar na compra, de namorar as peças - como dizia Garance Doré, há uns tempos. A sério... Que saudades de namorar peças! Ainda há uns dias vos falei que tinha comprado os botins brancos, algo que ponderei quase 2 meses. 2 meses! Quantas vezes, hoje em dia, estamos dois meses a ponderar comprar algo na Zara ou afins (a não ser, claro, por motivos económicos)?

Pois eu, que já apostei nisto à séria há uns tempos, dei por mim outra vez muito "acelerada". E coloco, oficialmente, o pé no travão. E sim, em altura de Natal! Quem está comigo?

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3 comentários

  1. Eu estou! Concordo totalmente. Sou fã da Zara (mas estou a preparar um post de como fazer boas compras lá - às vezes a qualidade deixa muito a desejar) mas a realidade é que eu vejo peças que gosto e depois quando vou à loja, já não estão disponíveis. O mais certo é vê-las nos saldos. Acho que este método impõe mesmo um grande consumo, comprar uma peça antes que desapareça da loja.
    Beijinhoo
    RITISSIMA BLOG

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  2. Concordo com o teu ponto de vista a 100%. Pessoalmente mudei muito nesse aspecto. Cansei-me da velocidade do consumo da fast fashion, é demais. Um dos meus objectivos para o próximo ano é comprar menos mas comprar melhor, ter tempo para namorar a peça, e estimá-la muito mais depois de a comprar. Vem com a idade, conhecermo-nos bem em termos de estilo, saber que se comprar esta peça, daqui a 5 anos continuarei a gostar e a usar.

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