OPINIÃO | O que é tendência?

segunda-feira, janeiro 27, 2014

Li, recentemente, um texto fantástico no Petiscos (da Julia Petit) sobre tendências hoje em dia, cuja 'genialidade' pode ser resumida no seguinte excerto:


"Sabe aquele sentimento de vergonha que a gente tem quando vê fotos de 20 anos atrás e pensa: “Meu Deus, como eu usei essa roupa, que ridículo!” A sensação agora é de que o pessoal está fazendo a mesma coisa, só que com roupas que usava há poucos meses."



A verdade é que, apesar de já termos percebido que editoriais servem "apenas" para inspirar, dá para reparar que há muito boa gente que ainda não percebeu que as montras também. Que a variedade existe para nos dar poder de escolha na hora de comprar, e não para nos dar poder de escolha a partir do nosso guarda-roupa.

A novidade é sempre "refreshing", é muito bom sairmos da rotina com uma peça diferente e "out-of-the-box", mas é ainda melhor, e mais importante, o poder de escolha. E sair por aí a comprar tudo o que há de novo, e que é "tendência" (termo que começa a estar démodé), não é ter poder de escolha, não é ter gosto próprio, não é inspirador. Inspirador, para mim, é ver alguém "rocking" uma peça com dois ou três anos (sim, apenas dois ou três, já é uma coisa RARA), muito mais do que alguém com o último it da Zara ou da H&M.




No mesmo texto, a autora refere ainda que Garance Doré decidiu estar uns tempos sem comprar muito por sentir falta da "adrenalina" de andar a namorar uma peça, por sentir que comprar estava a tornar-se algo banal, em vez de especial.


Então é isto - é isto mesmo que tenho feito já de há uns bons tempos para cá, e é isto que vos sugiro. Namorar a peça. Saber escolher. Saber distinguir algo que é bonito ali na prateleira, de algo que gostamos e vamos realmente usar. Não comprar na hora, sentir a alegria de "finalmente" ter aquela peça, aquele par de sapatos.




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6 comentários

  1. Xana, na minha última festa de aniversário o meu irmão "gozou-me" à frente dos meus amigos, disse que quando ele saiu de casa para a faculdade (tinha eu os meus 14 ou 15 anos), eu ia ao armário dele e usava as calças de ganga dele. Vira-se uma amiga minha: "então mas isso não é o mesmo que as boyfriend jeans?". Na altura, 14 anos atrás, ninguém ouvia falar em boyfriend jeans. Isto para dizer que tendências serão sempre as modinhas passageiras, uma coisa que antes era impensável de repente volta a ser usado por toda a gente. Há dias numa loja, estava a ver uns acessórios e diz o meu namorado: "então mas agora já é moda usar dourado? Há tempos ninguém usava dourado, agora já é moda...não percebo". E lá lhe tentei explicar que isto da moda e das tendências é para os fracos, que seguem as "regras". Quem tem gosto próprio passa ao lado das ditas tendências. Contra mim falo, em parte, porque sei que por alguma razão estou a usar hoje umas calças de camuflado e sei que isto foi tendência no verão, mas olha, gosto e pronto.

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  2. Word sista!
    É exactamente isso que penso. Li o artigo da Julia e confesso que senti alguma empatia com a escrita dela. Talvez pelo projecto que fiz que me obrigou a ser menos consumista, aprendi a namorar as peças e verificar se são realmente aquilo que eu quero, se passados 3 dias ainda continuo a pensar naquilo... E torna tudo muito mais especial!

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  3. Não tinha lido o texto da Julia, e babei sobre cada palavra. Acho que fizeste um óptimo apanhado da ideia geral, e ainda complementaste perfeitamente com o espírito aqui do blog. Se há coisa que eu amo no meu guarda-roupa, é ver a enorme miscelânia de estações e supostas antigas tendências que por ali andam. Gosto de cada peça que tenho no meu roupeiro, e apesar de (ainda) comprar mais do que preciso, cada compra é levada a cabo com todo esse sentimento e processo a que te referes. Gosto de ver as novas colecções a invadirem as lojas, mas no fim da estação, as peças que trouxe para casa, contam-se pelos dedos de uma mão, e são sempre as "tais" que se enquadram perfeitamente com o meu estilo e com o que me sinto bem. E acho que é tão bom viver assim!

    <3
    http://zazzish.blogspot.pt/

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  4. Achei o texto bastante interessante sem esuqecer, contudo que existe espaço para ambos. Se por uma lado, as tendências mantêm as pessoas entusiasmadas, as dutas peças intemporais oferecem uma certa estabilidade e sensação de conforto das peças há muito conhecidas.

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  5. Concordo TANTO contigo! E tenho posto isso em prática. Irrita-me solenemente quando vejo bloguers portuguesas a comprarem tudo o que saia na Zara, tudo o que é considerado "tendência", e a usarem isso massivamente, todas das mesma forma. Cansa. A moda e o estilo são feitos por nós e devem reflectir aquilo que somos e sentimos, não que passamos a vida a ler a Vogue ou a ver os novos post's das grandes bloguers internacionais. Já tinha falado contigo sobre isto e a minha opinião sobre isto está cada vez mais firme. Quero poder olhar para as minhas fotos de agora daqui a vinte anos e dizer que a pessoa que lá estava retratada era inteiramente eu!

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  6. Tenho a mesma opinião que tu! Eu não compro roupa há imenso tempo, aposto nos acessórios. Utilizo camisas (agora tendência) que usava há anos e continuam perfeitas e a fazer a diferença em qualquer look. A nível de lojas fast fashion acho que estão muito 'iguais' e as pessoas compram tudo e mais alguma coisa que esteja em voga. Eu gosto muito mais de apostar em acessórios do que propriamente comprar várias peças de roupa só por que estão muito 'in'. E também sinto que a 'loucura' de se apaixonar por uma peça e namorá-la durante imenso tempo está a cair em desuso. Enfim! :) Beijinho
    www.moodfashionlove.com'

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